sexta-feira, 5 de junho de 2009

Amar sozinha dói demais, melhor te odiar.

Essa é a minha luva de pilica,
para chegar ao peito de quem se anula.
Que arte indecorosa fazer-te paixão,
quando ao teu leito não deita ninguém,
porque não há espaço além de ti.
Só tu sofres, só tu não choras.
E comovida deixei-me iludir.
Chamo esse meio caminho,
dos que não decidem para não errado optar,
por caminho dos covardiados,
tão covardes, tão coitados
que ali sempre hão de estar.
Fora para sempre, amargo do meu coração,
nunca volte aos meus olhos olhar.
Tua indiferença fez a minha invalidez:
nunca um dia vou voltar a te amar.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Enrijecer

Vejo pelas janelas das viagens meus olhos suspensos.
Quando olhei as estrelas entre as montanhas achei que tinha entendido.
Não entendi nada.
Nunca entendi nada.
Pensei que não era de entender...
E esse silêncio é o meu silêncio.
É a voz que eu calo em mim.

domingo, 24 de maio de 2009

Meu filme

Se eu pudesse faria parte de uma ficção,
e ao invés da donzela encarnaria o vilão.
E pelas cenas se passando,
Sob o mar ou no universo
iria meu crime se revelando,
um crime frio e perverso.
E ao final quando o mocinho inteligente
armasse minha captura
eu riria desesperadamente
e me entregaria a desventura.
Melhor assim a vida inteira:
castigo pela crueldade
à sofrer a espera de quem se alheia
e viver sonhando a eternidade.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

poema

Shakespeare.

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

Não tenho entendido a mim pra ser autora do que penso e sinto...sorte ter a quem roubar...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sentando na mesa...

Janta
Marcelo Camelo

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that I'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together
Cause I can forget about myself, trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(I can forget about myself trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má
(And please my Day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I'll let you stay with me if you surrender)

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Hoje li uma reportagem na resvista Vida Simples que fala sobre as nossas frustrações, a matéria discorre falando das nossas expectativas em demasia e que por serem inatingivéis nos frustram, mas em contraposição mostra que não podemos viver sem elas, as expectativas são os geradores da nossa felicidade, se não acreditarmos em algo, qualquer coisa que seja, a vida não tem sentido, perde a motivação.
Quando terminei de ler senti uma certa revolta, então é tudo insolúvel? Desiludir-se é inevitável quando se cria expectativas, mas não criá-las é ser assombrado pela depressão.
Bom, como uma boa pensadora gastei horas nessa atividade de refletir, seria fácil dizer "crie expectativas menores, ou menos expectativas" ou coisas assim, mas para mim não funcionam esses conselhos. O que decidi foi que vou dar asas às minhas expectativas, vou continuar achando que tudo vai ser como eu quero, como eu espero, mas adotei uma "cláusula adenda", se tudo der errado, tudo bem!
Vai doer, vou sofrer, mas vai passar... Vai ficar tudo bem!
O meu esforço e sonho só vão durar até o meu coração quebrar...depois disso não haverá mais expectativas, haverá o caminho da paz.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ao tentar te dizer...

Infeliz sentar-me aqui por horas. Infeliz ato vazio. Quero dizer o que não encontro em palavras, quero expor o que eu sinto, mas nem sei que sentimento é.
Deveria estar no jardim, cheirando dama da noite, vendo a chuva fina cair. Deveria comprimentar a noite, ser companhia para a brisa... Mas estou aqui, a contemplar essas letras simétricas, a filosofar sobre minha vida de luz, a reclamar do amor, a contestá-lo...
Escrita inútil, nada diz, nada quer dizer. É o pudor do dizer simples com o profundo do que se quer falar, sai coisas assim, sem pedaço de sentido nem parte de clareza, poesia? Não, proeza.
Antes fosse eu direta, sentia, caia na linha e a verdade era essa.
Mas é a sina que me veio agora, não ter pelas palavras o meu acalento. Dormir na fervura dos meus pensamentos, e ser triste por um breve momento.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Noite mal dormida

A ansiedade foi contorcendo seu pescoço, tanto que a cabeça girou três vezes no sentido da lua. Depois a ânsia desceu pro estômago criando bolhas de sangue que explodiam a cada minuto, dando a sensação de gorfo. Uma inquietude vociferante ecoava entre seus seios silenciosos, e as mãos desacalmadas feriam sua barriga em unhas, sem querer, em descarrego.
Um grito dilatante que permaneceu na idéia, pensamentos de calma esmagados pela angústia. Ela chorou. Chorou pouco, nem se ouviu.
No quarto uma penúmbra de noite, um frio de madrugada, a respiração da casa dormente.
A inconsistência do existir, a dificuldade do coexistir. Um medo de raízes longínquas, a falta do equílibrio das solidões. Ela respirava o pó das suas vivências e não sabia quem era, nem o que queria.
O desespero de não ter para si mesma uma ideologia viva.
Correram formigas por suas pernas, subiram na linha corcunda de sua coluna em feto. Quem lhe daria respostas? Quem se não ela?
E em meio ao ciclone de seu desassossego o sono conduziu-a ao marasmo do sonho. Adormecida deixou calar as razões todas e só se ouviu o palpitar do coração. A noite largou as horas e as estrelas se esconderam para o dia nascer.