Deteve-se a meia luz dos raios que se despediam. Parou o andar quieto e seus olhos se esqueceram de piscar.
Estática, seus pensamentos circularam com seu sangue, e ao peito surgiu o borbulhar quente dos sentimentos.
Os dedos tímidos se entreabriram, pêndulos alinhados as coxas.
Ela respirou. Olhava o nada que dava para o sol, o pouco do sol do dia que partia.
Imóvel, seu silêncio aflitivo revelava sua dor. O olhar pesado e cego condescendiam com sua angústia.
Precisava esquecer. Precisava entender. Precisava encontrar-se. Era tarde, sempre é.
Não entendia o rumo das coisas, não combinava os mistérios das causas. Queria poder refazer-se e regressar para vir de novo. Mas talvez fosse ser mesmo assim.
Ao longe chamou-a alguém. Que é que tinha?
Os cílios acordaram frenéticos, o vento soprou de leve como que para apagar sensações. Entrecruzou os braços, fechou os punhos. Olhou para fora, para o chão, e caminhou novamente. Para algum lugar que a estava levando.
domingo, 11 de dezembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Quando o amor fere
Ver ferir-te o peito a mão amada,
calar-te o orgulho, estar atada.
Deixar cair a ti lágrimas do silêncio,
e sentir as dores, sentir o nada.
Ver ferir o peito amado a tua mão,
calar-te em tudo, perder a razão.
Deixar cair a ti lágrimas do desepero,
e sentir as dores, sentir o não.
calar-te o orgulho, estar atada.
Deixar cair a ti lágrimas do silêncio,
e sentir as dores, sentir o nada.
Ver ferir o peito amado a tua mão,
calar-te em tudo, perder a razão.
Deixar cair a ti lágrimas do desepero,
e sentir as dores, sentir o não.
Muda
As minhas palavras se calaram... perderam em si a coragem...
são quietas, indiferentes, nada dizem mais de mim...
Muitas coisas se calaram...perderam em si o sonho...
são passado, vazias, nada tiveram de mim...
Crescer dói imaterialmente... dói e não há mais lágrimas que curem,
dói e não há outras verdades...dói e é preciso entender que sempre doerá.
Crescer é um calar de palavras...É um estar são para não ser louco...
é olhar pro mundo e inventar sentidos, sentidos já inventados.
domingo, 25 de setembro de 2011
Felicistreza
Ai meu coração...
está em pleno tiroteio!
Feliz vem a emoção
e triste se faz pesadelo.
Estala no meio do peito!
Arde todo pensamento...
Está suspenso,
em antítese de sentimentos...
está em pleno tiroteio!
Feliz vem a emoção
e triste se faz pesadelo.
Estala no meio do peito!
Arde todo pensamento...
Está suspenso,
em antítese de sentimentos...
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Tristeza
Quando do teu berço, amor, cairem as estacas,
Não te apavores, ficas em teu lugar.
As estacas sempre caem,
E eu dividirei contigo o ar pesado...
Meu ombro acolherá teus olhares
Tuas mãos terão minha companhia
E as trevas hão de passar.
Eu cuidarei das tuas tristezas.
Não te apavores, ficas em teu lugar.
As estacas sempre caem,
E eu dividirei contigo o ar pesado...
Meu ombro acolherá teus olhares
Tuas mãos terão minha companhia
E as trevas hão de passar.
Eu cuidarei das tuas tristezas.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Identidade
A minha identidade,
aquela perdida danada!
vadia pela vida,
fugindo por cada estrada...
Não sabe pra onde vai,
não sabe de onde vem.
Se esbanja e depois se contrai,
com medo de si mais ninguém!
Identidade indecisa...
Quer o mundo e toda gente.
Mas depois vê que só precisa
daquele amor incocente.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Congelados
O frio abraça os meus dedos,
Levanta delicadamente os meus cabelos
E brinca com a minha nuca,
Ele vai passeando pelas frestas
Dos casacos, dos sapatos
Se infiltra em minhas meias
Morde as pontas dos meus pés
Escala dançante as minhas pernas
Senta em meu nariz,
Mesmo assim sinto-me feliz.
O frio de fora a gente espanta
O frio interno é que amedronta!
Levanta delicadamente os meus cabelos
E brinca com a minha nuca,
Ele vai passeando pelas frestas
Dos casacos, dos sapatos
Se infiltra em minhas meias
Morde as pontas dos meus pés
Escala dançante as minhas pernas
Senta em meu nariz,
Mesmo assim sinto-me feliz.
O frio de fora a gente espanta
O frio interno é que amedronta!
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