Infeliz sentar-me aqui por horas. Infeliz ato vazio. Quero dizer o que não encontro em palavras, quero expor o que eu sinto, mas nem sei que sentimento é.
Deveria estar no jardim, cheirando dama da noite, vendo a chuva fina cair. Deveria comprimentar a noite, ser companhia para a brisa... Mas estou aqui, a contemplar essas letras simétricas, a filosofar sobre minha vida de luz, a reclamar do amor, a contestá-lo...
Escrita inútil, nada diz, nada quer dizer. É o pudor do dizer simples com o profundo do que se quer falar, sai coisas assim, sem pedaço de sentido nem parte de clareza, poesia? Não, proeza.
Antes fosse eu direta, sentia, caia na linha e a verdade era essa.
Mas é a sina que me veio agora, não ter pelas palavras o meu acalento. Dormir na fervura dos meus pensamentos, e ser triste por um breve momento.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Noite mal dormida
A ansiedade foi contorcendo seu pescoço, tanto que a cabeça girou três vezes no sentido da lua. Depois a ânsia desceu pro estômago criando bolhas de sangue que explodiam a cada minuto, dando a sensação de gorfo. Uma inquietude vociferante ecoava entre seus seios silenciosos, e as mãos desacalmadas feriam sua barriga em unhas, sem querer, em descarrego.
Um grito dilatante que permaneceu na idéia, pensamentos de calma esmagados pela angústia. Ela chorou. Chorou pouco, nem se ouviu.
No quarto uma penúmbra de noite, um frio de madrugada, a respiração da casa dormente.
A inconsistência do existir, a dificuldade do coexistir. Um medo de raízes longínquas, a falta do equílibrio das solidões. Ela respirava o pó das suas vivências e não sabia quem era, nem o que queria.
O desespero de não ter para si mesma uma ideologia viva.
Correram formigas por suas pernas, subiram na linha corcunda de sua coluna em feto. Quem lhe daria respostas? Quem se não ela?
E em meio ao ciclone de seu desassossego o sono conduziu-a ao marasmo do sonho. Adormecida deixou calar as razões todas e só se ouviu o palpitar do coração. A noite largou as horas e as estrelas se esconderam para o dia nascer.
Um grito dilatante que permaneceu na idéia, pensamentos de calma esmagados pela angústia. Ela chorou. Chorou pouco, nem se ouviu.
No quarto uma penúmbra de noite, um frio de madrugada, a respiração da casa dormente.
A inconsistência do existir, a dificuldade do coexistir. Um medo de raízes longínquas, a falta do equílibrio das solidões. Ela respirava o pó das suas vivências e não sabia quem era, nem o que queria.
O desespero de não ter para si mesma uma ideologia viva.
Correram formigas por suas pernas, subiram na linha corcunda de sua coluna em feto. Quem lhe daria respostas? Quem se não ela?
E em meio ao ciclone de seu desassossego o sono conduziu-a ao marasmo do sonho. Adormecida deixou calar as razões todas e só se ouviu o palpitar do coração. A noite largou as horas e as estrelas se esconderam para o dia nascer.
terça-feira, 31 de março de 2009
Sussurros
Disseram-me que voltei mais silenciosa. E começo a concordar.
Mas é no meu silêncio que percebo realmente o que sinto. Antes passavam as coisas e além de marcas não sobravam sentimentos, nem memórias.
Hoje oculto em mim um grito de conquista, conquistei meu próprio amor.
E então quando calo, não penso mais estar perdendo e sim me protegendo. Ou então deixando só para mim o sabor do saber.
Estou diferentemente forte, estou certa de que possuo um porto como nenhum outro, o reconheço agora, deixo-me voltar ao cais. Sei que tudo ficará bem.
Também é no meu silêncio que meu coração quase toca o seu...
mas ainda falta...
Mas é no meu silêncio que percebo realmente o que sinto. Antes passavam as coisas e além de marcas não sobravam sentimentos, nem memórias.
Hoje oculto em mim um grito de conquista, conquistei meu próprio amor.
E então quando calo, não penso mais estar perdendo e sim me protegendo. Ou então deixando só para mim o sabor do saber.
Estou diferentemente forte, estou certa de que possuo um porto como nenhum outro, o reconheço agora, deixo-me voltar ao cais. Sei que tudo ficará bem.
Também é no meu silêncio que meu coração quase toca o seu...
mas ainda falta...
domingo, 22 de março de 2009
Reticências
Meu sono domina, mas não quero deixar de falar...
hoje vi as verdades que fazem minha sina.
Acho que nunca precisei de tanta calma, teimosia pacífica.
Só temos uma vida, não dá para experimentar...
Vou ousar o silêncio.
Estou vivendo a ação do meu pensar.
hoje vi as verdades que fazem minha sina.
Acho que nunca precisei de tanta calma, teimosia pacífica.
Só temos uma vida, não dá para experimentar...
Vou ousar o silêncio.
Estou vivendo a ação do meu pensar.
domingo, 15 de março de 2009
Bifurcação
Oscilo entre razão e sentimento.
A pressa das minhas vontades, a ânsia digna pela paz, nunca me contento.
Parece que quando sei o caminho o esqueço por todo segundo,
me confundo, me enlouqueço.
É injusto o que não tem portas, mas também o é quem as tem demais.
E fazer o que se ao atravessar a batente eu quiser voltar atrás?
As vezes tenho vontade de me lançar à um vício, não sei qual.
Antes pudesse eu fumar um cigarro para queimar com as suas brasas esses tantos, tolos pensamentos. E então viver mais leve...
Leve com a fumaça que iria pela garganta fria encher meu corpo solitário.
Pensar, pensar, pensar.
Faz de mim escravo das idéias e dores, dores e idéias que ainda não são em verdade idéias e dores mas apenas aspirações do destino, utopias estúpidas.
Minha razão indolente atada pelo meu coração afável, minhas estradas a seguir com minha falta de guia, me dá uma bela ceia de insônia e de ablepsia.
Desejo apenas a imensidão do céu, para reger minha alma mergulhada, entranhada nesse mar de poeta que de tantas lágrimas nunca seca.
A pressa das minhas vontades, a ânsia digna pela paz, nunca me contento.
Parece que quando sei o caminho o esqueço por todo segundo,
me confundo, me enlouqueço.
É injusto o que não tem portas, mas também o é quem as tem demais.
E fazer o que se ao atravessar a batente eu quiser voltar atrás?
As vezes tenho vontade de me lançar à um vício, não sei qual.
Antes pudesse eu fumar um cigarro para queimar com as suas brasas esses tantos, tolos pensamentos. E então viver mais leve...
Leve com a fumaça que iria pela garganta fria encher meu corpo solitário.
Pensar, pensar, pensar.
Faz de mim escravo das idéias e dores, dores e idéias que ainda não são em verdade idéias e dores mas apenas aspirações do destino, utopias estúpidas.
Minha razão indolente atada pelo meu coração afável, minhas estradas a seguir com minha falta de guia, me dá uma bela ceia de insônia e de ablepsia.
Desejo apenas a imensidão do céu, para reger minha alma mergulhada, entranhada nesse mar de poeta que de tantas lágrimas nunca seca.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Conselho arrependido.
Meu silêncio falando por mim.
Mas quando devia calar, falhei.
Disse a um coração em chamas contidas que o amor não mora a espreita, as escondidas.
Que a razão só demora e serve fria, a fatia mais linda e doce da vida.
Falei por cantar alto demais as rimas que se faziam em mim,
Mas não pensei causar em seus olhos tanta culpa e pena de si.
Espera amiga, não é a hora.
Sua história realizar-se-a enfim...
O amor que eu disse outrora talvez seja paixão, chama curta em capim.
Tenha pra si o seu mundo,
Viva a sua vida sim,
Pois sem ti, amor nenhum fica junto
e a eternidade vira um ponto e fim.
Mas quando devia calar, falhei.
Disse a um coração em chamas contidas que o amor não mora a espreita, as escondidas.
Que a razão só demora e serve fria, a fatia mais linda e doce da vida.
Falei por cantar alto demais as rimas que se faziam em mim,
Mas não pensei causar em seus olhos tanta culpa e pena de si.
Espera amiga, não é a hora.
Sua história realizar-se-a enfim...
O amor que eu disse outrora talvez seja paixão, chama curta em capim.
Tenha pra si o seu mundo,
Viva a sua vida sim,
Pois sem ti, amor nenhum fica junto
e a eternidade vira um ponto e fim.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Entregue
Hoje enfraqueci. Cai do alto das torres todas que me protegem. Perdi meus grilhoes, meus alicerces e chorei.
Não houve nada, só abri mão da forca, da convicção.
Tive medo, quis colo, quis ouvir ''estou aqui''...
Abri meus portões de ferro, arranquei meus escudos orgulhosos, fiquei indefesa.
Quero mais é ir na calma, só que meu coração também precisa de amparo... Precisa de alento para acreditar...
Não é sempre que assumo perder as espadas, nem costumo deixar-me perdê-las... Mas as vezes é bom ser a princesa e não o heroi...desesperar-se por nada ao lutar no suor da vitória...ser a espera ao invés de conquistar...
Minha lágrimas teceram meu vestido de brisa, este me concedeu meu perdão. Não há força que dure para sempre.
Não houve nada, só abri mão da forca, da convicção.
Tive medo, quis colo, quis ouvir ''estou aqui''...
Abri meus portões de ferro, arranquei meus escudos orgulhosos, fiquei indefesa.
Quero mais é ir na calma, só que meu coração também precisa de amparo... Precisa de alento para acreditar...
Não é sempre que assumo perder as espadas, nem costumo deixar-me perdê-las... Mas as vezes é bom ser a princesa e não o heroi...desesperar-se por nada ao lutar no suor da vitória...ser a espera ao invés de conquistar...
Minha lágrimas teceram meu vestido de brisa, este me concedeu meu perdão. Não há força que dure para sempre.
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