Vinha Branca há tempos está sem atualizações. Percebi que é porque foi de mim um pouco do que já não sou mais. Então deixo esse meu vinha/o na adega, curtindo um pouco, para quem sabe um dia servir minhas melhores palavras em projetos futuros.
Assim, vou também mudar a descrição do meu perfil. Mas gosto tanto dela, e ela foi tanto de mim, que a publico aqui.
Quem puder e quiser, acompanhe meu mais novo (novíssimo) blog - O ombro da borboleta (oombrodaborboleta.blogspot.com.br)
Vinha Branca:
Sou branca.
E vinha descalça pela vida. Andava com um braço enrolado no sossego e
outro na felicidade. Um dia, vinha branca e calma pelos caminhos do
mundo, tropecei, cai.
Doeu tudo, doeu tanto! Então descobri a minha alma! Continuo vindo, mas
uso chinelos.
De vez em quando gosto de tirá-los, e sentir de novo a dorzinha de mim.
domingo, 19 de janeiro de 2014
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Despertamento
Inspirada estou por aqui
Por livros de capítulos que li
Lançada às verdades tão sabidas
E tanto esquecidas pelo agir.
Mas que segredo porém
Nos afasta dessa coragem
De estar sóbrio e beber verdade
E deixar de pensar
E – escrever – à vontade?
É um duelo entristecido
De permitir esvair um eu
primitivo
De reconhecer em si um antigo inimigo
E escorar-se no abismo
E cometer seu próprio homicídio
Para sair mais vivo.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Saudade oculta
Nunca antes havia sentido a memória tão aflita em si.
Uma vida tão antes adormecida que palpita querendo sair.
Sair pra onde? Sair de quem? Sair num passado que já não se tem?
Ou trazer pro presente as imagens antigas, elas que certamente virão distorcidas?
É certo que essa saudade é uma vontade sozinha. Há de ser quieta. Há de ser minha.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
O cantar triste da minha gaiola
Pode ser, pode ser.
Um olhar enganado
Um sentir invertido
Um jeito estranho de me parecer
comigo.
Mas se não estou cá dentro
Por onde andei?
Vai saber, vai saber...
Na alma dos outros,
Nas plantas, no paraíso escondido.
Livre. Livre de mim.
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Vinha Branca
segunda-feira, 22 de abril de 2013
O medo de alguém
Quando ao coração aborda o medo,
o que resta?
De que presta ouvir?
Ouvir a mim? Um outro eu descabido?
Um cansaço infinito adormecido.
Mas que medo é esse, porém?
É perdido, de certo, é de alguém.
Mas que pressa,
de sentir a vida toda, antes mesmo
da vida que se resta.
E doer as paciências que hão de vir,
e tudo isto pra quê?
Pra ser feliz. Pra ser feliz?
Quem há de falar às minhas entranhas,
suspensas em eterno pensar, do estar,
do querer, do sentir e sofrer,
que é assim? Amar e fim.
o que resta?
De que presta ouvir?
Ouvir a mim? Um outro eu descabido?
Um cansaço infinito adormecido.
Mas que medo é esse, porém?
É perdido, de certo, é de alguém.
Mas que pressa,
de sentir a vida toda, antes mesmo
da vida que se resta.
E doer as paciências que hão de vir,
e tudo isto pra quê?
Pra ser feliz. Pra ser feliz?
Quem há de falar às minhas entranhas,
suspensas em eterno pensar, do estar,
do querer, do sentir e sofrer,
que é assim? Amar e fim.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Braços
Os braços, quietos.
Contendo em si ansiedades loucas,
De permitir às mãos
Estraçalhar o peito
E retirar de lá maldades!
Maldades mesquinhas,
Vinganças ranzinzas,
Egoísmos carecas!
Mas...
Braços de almas roucas,
Como podem ferir o coração de outrem?
À quem amam mais que ninguém?
Deixam-se então a calar,
Escolhem, mais felizes talvez,
Fazer o inverso,
Dar um abraço e perdoar em verso.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Guerreiro
De tudo que já criei
Gosto mais de meu guerreiro!
Este personagem oculto,
Escondido por entre mim.
De batalhas as duras penas
Esse guerreiro ganha a cena,
E do fundo lamacento
Vai então me resgatar!
Ele apela às boas memórias,
Ganha tempo contando sonhos,
E desperta meu acreditar,
Sempre foi assim!
As vezes penso que se foi,
Mas o audacioso me engana
Bombeia forças, me tira da cama
E exige um sim!
Este meu guerreiro teimoso,
Parece nem sentir a dor...
Se estou prestes a chorar,
Ele está em seu melhor dispor!
Um guerreiro como poucos,
Que defende um bom ideal:
Vencer a mim, e o meu mal.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Coração sombrio
Do que se alimenta a alma entristecida?
Um consolo sem nome? Uma esperança desconhecida?
Sentir o ardor leve nos olhos prontos,
prontos para o pranto, mas guardados em sua dor
E converter-se em cético
E desfilar-se em vazio
Encontrar o silêncio, e tentar convencê-lo a falar.
Só não há nada a se dizer.
As horas voltarão a cobrar,
os lábios voltarão a sorrir,
o vento continuará a soprar, ele nunca parou.
E a vida terá a graça criada pelas nossas esperanças.
Eu sei, que esse íntimo ardido, que esse eu desentendido
vai passar...
como passa a memória, ao caminhar
Mas esse espaço hoje me enlaça
faz-me companhia sutil...
minha respiração é funda,
e meu coração sombrio.
Estou a apagar as luzes,
deixar o breu em mim
e sofrer aquilo que me dói,
como se a dor não tivesse fim.
Ouço meu corpo a falhar,
olhos murchando a cada respirar,
a boca seca a secar...
Que será dessa alma cansada
como todas, na mesma estrada?
Um suspiro, um amém,
uma fé que não se tem.
É um passar de capítulos,
da ignorância escolhida
de ser feliz,
apesar da vida.
Um consolo sem nome? Uma esperança desconhecida?
Sentir o ardor leve nos olhos prontos,
prontos para o pranto, mas guardados em sua dor
E converter-se em cético
E desfilar-se em vazio
Encontrar o silêncio, e tentar convencê-lo a falar.
Só não há nada a se dizer.
As horas voltarão a cobrar,
os lábios voltarão a sorrir,
o vento continuará a soprar, ele nunca parou.
E a vida terá a graça criada pelas nossas esperanças.
Eu sei, que esse íntimo ardido, que esse eu desentendido
vai passar...
como passa a memória, ao caminhar
Mas esse espaço hoje me enlaça
faz-me companhia sutil...
minha respiração é funda,
e meu coração sombrio.
Estou a apagar as luzes,
deixar o breu em mim
e sofrer aquilo que me dói,
como se a dor não tivesse fim.
Ouço meu corpo a falhar,
olhos murchando a cada respirar,
a boca seca a secar...
Que será dessa alma cansada
como todas, na mesma estrada?
Um suspiro, um amém,
uma fé que não se tem.
É um passar de capítulos,
da ignorância escolhida
de ser feliz,
apesar da vida.
domingo, 9 de setembro de 2012
Doente de mim
Estou doente de mim!
Minhas palavras vêem os minutos passar
Mas nada me contam...
E o meu sentir destreinado
Satisfeito, feliz
Fica mudo, calado
E não mais me encantam
Poetas adormecidos a desvairar
Doenças de amor
Já me encontro curado
Perfeito, vivaz
Do amor enamorado
Mas é cruel a alegria
Que a vaidade há de encontrar,
A dor que se pede ao temê-la
Solitário o barco encontrado
Perdido, incapaz
Percebo-me ancorado
Choro enfim minha nostalgia
Escuto um poema a cantar,
E retorno ao silêncio que havia.
Certamente adoeci.
Minhas palavras vêem os minutos passar
Mas nada me contam...
E o meu sentir destreinado
Satisfeito, feliz
Fica mudo, calado
E não mais me encantam
Poetas adormecidos a desvairar
Doenças de amor
Já me encontro curado
Perfeito, vivaz
Do amor enamorado
Mas é cruel a alegria
Que a vaidade há de encontrar,
A dor que se pede ao temê-la
Solitário o barco encontrado
Perdido, incapaz
Percebo-me ancorado
Choro enfim minha nostalgia
Escuto um poema a cantar,
E retorno ao silêncio que havia.
Certamente adoeci.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Fim de ciclos
Foi como se ela tivesse tomado uma taça, não de vinho, mas de ódio. E ainda com sede, pedisse por mais.
Nunca ninguém a vira desta forma. Era outra. Perigosa.
Uma revolta contra as revoltas. Cansara de ajeitar-se, de modelar-se, de caber no sonho de alguém. E já não se importava com razões, adquirira novas, suas, verdades próprias, sem sentidos nenhum.
Foi um basta, manchado de raiva e ressentimentos.
Lastimável ter sido assim, mas necessário. As vezes é preciso fazer coisas imperdoáveis para se continuar vivendo.
Nunca ninguém a vira desta forma. Era outra. Perigosa.
Uma revolta contra as revoltas. Cansara de ajeitar-se, de modelar-se, de caber no sonho de alguém. E já não se importava com razões, adquirira novas, suas, verdades próprias, sem sentidos nenhum.
Foi um basta, manchado de raiva e ressentimentos.
Lastimável ter sido assim, mas necessário. As vezes é preciso fazer coisas imperdoáveis para se continuar vivendo.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Força da fé
Ao achar-se inimigo de si mesmo
ver-se preso, refém do medo
Ao sentir-se inconstante,
mal amigo, traidor de si, perdido
Rezai por um pouco de paz
Porque a cabeça os nervos trai
e o que se vê não se vê mais
Chamai por fé, a fé que for
Que a fé sempre vem de amor
sábado, 7 de janeiro de 2012
Grito
Não podia perder a voz, mas já não sabia falar.
A raiva tomava a boca, mas o amor a fazia calar.
E gaguejando torto o pensamento entruncava,
as razões e as palavras titubeavam pelo ar.
Como dizer o que seja, se o argumento já vem,
quebrando as retóricas, ganhando lógicas,
que lógica nenhuma tem?
Como lutar pela razão, essa traira vazia,
servente do orgulho, troféu sem valor,
se as discórdias são certas e o amor também?
Ficava então a engolir, aquilo que tivesse de vir,
a proteger o romance, achando-se solução.
Ilusão.
Um pouco de grito faz bem.
A raiva tomava a boca, mas o amor a fazia calar.
E gaguejando torto o pensamento entruncava,
as razões e as palavras titubeavam pelo ar.
Como dizer o que seja, se o argumento já vem,
quebrando as retóricas, ganhando lógicas,
que lógica nenhuma tem?
Como lutar pela razão, essa traira vazia,
servente do orgulho, troféu sem valor,
se as discórdias são certas e o amor também?
Ficava então a engolir, aquilo que tivesse de vir,
a proteger o romance, achando-se solução.
Ilusão.
Um pouco de grito faz bem.
Orgulho
Orgulho que a quem fere faz-se amo,
proclama a dor e cega a alma,
carrega os olhos às chamas
e ilude quem palpita, o coração.
Faz dos pés buscas tardias,
envenena cada palavra,
enrruga a boca e a face,
e não diz nada, apenas: não.
proclama a dor e cega a alma,
carrega os olhos às chamas
e ilude quem palpita, o coração.
Faz dos pés buscas tardias,
envenena cada palavra,
enrruga a boca e a face,
e não diz nada, apenas: não.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Pôr-do-sol
Deteve-se a meia luz dos raios que se despediam. Parou o andar quieto e seus olhos se esqueceram de piscar.
Estática, seus pensamentos circularam com seu sangue, e ao peito surgiu o borbulhar quente dos sentimentos.
Os dedos tímidos se entreabriram, pêndulos alinhados as coxas.
Ela respirou. Olhava o nada que dava para o sol, o pouco do sol do dia que partia.
Imóvel, seu silêncio aflitivo revelava sua dor. O olhar pesado e cego condescendiam com sua angústia.
Precisava esquecer. Precisava entender. Precisava encontrar-se. Era tarde, sempre é.
Não entendia o rumo das coisas, não combinava os mistérios das causas. Queria poder refazer-se e regressar para vir de novo. Mas talvez fosse ser mesmo assim.
Ao longe chamou-a alguém. Que é que tinha?
Os cílios acordaram frenéticos, o vento soprou de leve como que para apagar sensações. Entrecruzou os braços, fechou os punhos. Olhou para fora, para o chão, e caminhou novamente. Para algum lugar que a estava levando.
Estática, seus pensamentos circularam com seu sangue, e ao peito surgiu o borbulhar quente dos sentimentos.
Os dedos tímidos se entreabriram, pêndulos alinhados as coxas.
Ela respirou. Olhava o nada que dava para o sol, o pouco do sol do dia que partia.
Imóvel, seu silêncio aflitivo revelava sua dor. O olhar pesado e cego condescendiam com sua angústia.
Precisava esquecer. Precisava entender. Precisava encontrar-se. Era tarde, sempre é.
Não entendia o rumo das coisas, não combinava os mistérios das causas. Queria poder refazer-se e regressar para vir de novo. Mas talvez fosse ser mesmo assim.
Ao longe chamou-a alguém. Que é que tinha?
Os cílios acordaram frenéticos, o vento soprou de leve como que para apagar sensações. Entrecruzou os braços, fechou os punhos. Olhou para fora, para o chão, e caminhou novamente. Para algum lugar que a estava levando.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Quando o amor fere
Ver ferir-te o peito a mão amada,
calar-te o orgulho, estar atada.
Deixar cair a ti lágrimas do silêncio,
e sentir as dores, sentir o nada.
Ver ferir o peito amado a tua mão,
calar-te em tudo, perder a razão.
Deixar cair a ti lágrimas do desepero,
e sentir as dores, sentir o não.
calar-te o orgulho, estar atada.
Deixar cair a ti lágrimas do silêncio,
e sentir as dores, sentir o nada.
Ver ferir o peito amado a tua mão,
calar-te em tudo, perder a razão.
Deixar cair a ti lágrimas do desepero,
e sentir as dores, sentir o não.
Muda
As minhas palavras se calaram... perderam em si a coragem...
são quietas, indiferentes, nada dizem mais de mim...
Muitas coisas se calaram...perderam em si o sonho...
são passado, vazias, nada tiveram de mim...
Crescer dói imaterialmente... dói e não há mais lágrimas que curem,
dói e não há outras verdades...dói e é preciso entender que sempre doerá.
Crescer é um calar de palavras...É um estar são para não ser louco...
é olhar pro mundo e inventar sentidos, sentidos já inventados.
domingo, 25 de setembro de 2011
Felicistreza
Ai meu coração...
está em pleno tiroteio!
Feliz vem a emoção
e triste se faz pesadelo.
Estala no meio do peito!
Arde todo pensamento...
Está suspenso,
em antítese de sentimentos...
está em pleno tiroteio!
Feliz vem a emoção
e triste se faz pesadelo.
Estala no meio do peito!
Arde todo pensamento...
Está suspenso,
em antítese de sentimentos...
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Tristeza
Quando do teu berço, amor, cairem as estacas,
Não te apavores, ficas em teu lugar.
As estacas sempre caem,
E eu dividirei contigo o ar pesado...
Meu ombro acolherá teus olhares
Tuas mãos terão minha companhia
E as trevas hão de passar.
Eu cuidarei das tuas tristezas.
Não te apavores, ficas em teu lugar.
As estacas sempre caem,
E eu dividirei contigo o ar pesado...
Meu ombro acolherá teus olhares
Tuas mãos terão minha companhia
E as trevas hão de passar.
Eu cuidarei das tuas tristezas.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Identidade
A minha identidade,
aquela perdida danada!
vadia pela vida,
fugindo por cada estrada...
Não sabe pra onde vai,
não sabe de onde vem.
Se esbanja e depois se contrai,
com medo de si mais ninguém!
Identidade indecisa...
Quer o mundo e toda gente.
Mas depois vê que só precisa
daquele amor incocente.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Congelados
O frio abraça os meus dedos,
Levanta delicadamente os meus cabelos
E brinca com a minha nuca,
Ele vai passeando pelas frestas
Dos casacos, dos sapatos
Se infiltra em minhas meias
Morde as pontas dos meus pés
Escala dançante as minhas pernas
Senta em meu nariz,
Mesmo assim sinto-me feliz.
O frio de fora a gente espanta
O frio interno é que amedronta!
Levanta delicadamente os meus cabelos
E brinca com a minha nuca,
Ele vai passeando pelas frestas
Dos casacos, dos sapatos
Se infiltra em minhas meias
Morde as pontas dos meus pés
Escala dançante as minhas pernas
Senta em meu nariz,
Mesmo assim sinto-me feliz.
O frio de fora a gente espanta
O frio interno é que amedronta!
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