sábado, 7 de fevereiro de 2009

adeus para libertar

Meus dedos ansiavam as letras, mas não sabiam escolhê-las.
Tanta coisa tem me passado pela cabeça...regredi.
Como se eu lesse jornais passados, peguei-me a visitar minhas antigas notícias.
Antigas escolhas, antigos amigos, antigos amores... Estive num museu de mim. Pensamentos me ocorriam e corriam.
Vi as fotografias de quem fui, e relembrei quem esteve comigo. Momentos do passado, que foram meu caminho pro presente.
Não sabia o que fazer com essas lembrancas, carregá-las era estar presa, deixá-las era se perder. O que fomos ou vivemos é o que nos permite ser e viver o que queremos. Como esquecer tudo então, para estar leve, para estar livre, se leve demais voa para o nunca mais?
Foi então que um som tocou meu coração. Coloquei minha vida nas sinfonias de Beethoven, Mozart, Bach. Nos violinos foi-se minha infância, no som das flautas deixei partir meus rancores, nas teclas do piano chorei as felicidades e os arrependimentos.
Nas pausas resgatei meus silêncios e gritei.
Quando a música ganhava velocidade abracei, em sonho, todos os quais senti saudade.
'Um beijo na testa meu bem, o que foi não volta jamais.'
Guardo minhas memórias nessas canções, sei que ali serão eternas mas permitirão-me dançar.
Por isso, adeus.

2 comentários:

Lucas Grosso disse...

Já disse que você escreve muito bem?

Não vai dá uma de Emily Dickinson e deixa pra publicar postumamente, hein!

"Meus dedos ansiavam as letras, mas nao sabiam escolhe-las." Achei essa imagem Linda!

Mas então, gostei mesmo! Você usou a música clássica com muita propriedade! :)

Anônimo disse...

Que coisa linda!!! você tem o dom de emocionar as pessoas quando escreve...Toca a alma tão profundamente de uma maneira que só você sabe fazer...Parabens!