quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Veste o que sou

Pelos meus atalhos fiz uma colcha de retalhos, tanto quis encurtar as conquistas que nada tão longo teci. Mas o tempo as vezes deixa-se ser amigo, e por mais tarde que venha a mim as clarezas, há tempo de costurar de novo.
Voltei a cada fuchico, o desfiz, refiz outra vez, prestando mais atenção ao que me remetia essas lembranças, lembranças que hoje percebo, vazias. E fui assim retornando ao passado que vestiu meu presente, desatando nós, trocando os panos, limpando as manchas que permiti surgirem.
Minha manta foi quase como um espelho, e olhando assim para mim, com mais cuidado e zelo, não senti o frio que vinha de fora, não senti o medo que vinha dos outros, não achei que devia fazer nada. Consegui sentir o que estava dentro de mim.
Quem não erra um ponto? Quem não fura o dedo?
O meu segredo é seguir com a certeza de que no meu coração sempre haverá tecidos coloridos, e saber que não há regras que me impessam de descontruir tudo para recomeçar.

2 comentários:

Lucas Grosso disse...

Li =]

mari disse...

Esse texto me tocou profundamente....Lindo!!Quantas vezes na vida temos que desconstruir para construir melhor, né? Te amo!!!